Dra. Franciane Coelho

ATENDIMENTO LÚDICO PARA CRIANÇAS: TÉCNICA DO FALAR-MOSTRAR-FAZER

O controle do comportamento infantil é um componente importantíssimo na prática da Odontopediatria.
O relacionamento é a maior diferença que existe entre o tratamento de crianças e de adultos.
Em geral, o tratamento de um adulto exige uma relação de um para um: o dentista com seu paciente. Entretanto ao se tratar de uma criança, estabelece-se uma relação de um para dois: o dentista, com seu paciente (criança) e com seu núcleo familiar (pais, responsáveis, cuidadores).
Atualmente, tem diminuído a indicação de uso de restrições e de medicações, e aumentado a necessidade de envolvimento e de cooperação dos pais durante o atendimento infantil.
Para tratar crianças é preciso mais que destreza manual, diagnóstico correto e um conhecimento do desenvolvimento infantil, para fornecer qualidade no tratamento odontológico para as crianças – o fator “X” é a cooperação da criança. A maioria das crianças que chega ao consultório é classificada como cooperativa. A falta de cooperação, geralmente, revela a ansiedade e/ou medo por parte da criança de passar por uma sensação dolorosa ou desagradável durante o atendimento.
Antes de começar qualquer manobra deve-se explicar à criança o que será feito, e mostrar através de algum tipo de simulação o que vai ocorrer- abordagem lúdica – para isso pode-se utilizar a técnica conhecida como falar-mostrar-fazer.
A técnica do “falar-mostrar-fazer” deve se iniciar logo que a criança entra no consultório, e durar durante todo o atendimento. É fundamental que antes mesmo da criança entrar na sala de consulta, conheça o profissional e que seja realizada uma breve “conversa” entre profissional e criança. O objetivo desta etapa é mostrar à criança que queremos seu bem e seremos seu amigo.
Esta técnica consiste em apresentar aos poucos a criança alguns elementos do consultório odontológico, oferecendo-lhes explicações verbais dos procedimentos odontológicos, numa linguagem simples e acessível para ela. Envolve ainda a demonstração visual, auditiva, tátil e olfatória dos mesmos procedimentos. A apresentação do espelho, da pinça, do explorador e do sugador deve ser realizada primeiro fora da boca e depois na boca da criança. Para fazer esta demonstração fora da boca, podem-se utilizar bonecos ou brinquedos e pedir a participação da criança. Os elementos odontológicos devem ser apresentados gradualmente, e assim promovendo sua familiarização antes do tratamento propriamente dito. Desta maneira, o profissional estará fornecendo informações preparatórias à criança, tornando o ambiente conhecido, e diminuindo seu medo e sua ansiedade.
Ao conhecer as funções dos equipamentos, a criança terá menor probabilidade de projetar neles suas fantasias, que são muitas vezes aterrorizantes. As crianças se beneficiam desta técnica, pois ela lhes permite manipular alguns instrumentos que não oferecem risco de acidente. A criança conhecerá, portanto, a textura, o peso e o funcionamento destes materiais e, assim, diminuirá as fantasias que porventura tenha criado, uma vez que ela percebe que estes não são causadores de medo.
Infelizmente, algumas pessoas ainda veem nos brinquedos apenas aspectos distrativos e fúteis. Porém, estudos tem demonstrado que o brinquedo é um fator de educação importante. Os jogos e os brinquedos são indispensáveis ao crescimento físico, intelectual e social da criança. A brincadeira é uma forma de expressão e de linguagem, especialmente em crianças de pouca idade, que ainda não dominam a linguagem falada; portanto, a brincadeira pode-se tornar um meio de comunicação entre a criança e o adulto.
Em algumas circunstâncias, a criança muito curiosa gostará de experimentar nela mesma os objetos apresentados. Em outras, porém, as crianças podem ficar mais receosas, e necessitar de mais tempo e contato com os novos “equipamentos”, para permitir tal contato.
Assim a finalidade do primeiro contato com o paciente é a aquisição de confiança da criança, sua ambientação com o dentista e o instrumental, bem como estabelecer um relacionamento dentista-paciente.
Devemos, além de educar o paciente quanto aos cuidados de saúde bucal, favorecer o saudável desenvolvimento psicológico. O profissional que procura conhecer o paciente na sua totalidade, o inserido no seu ambiente social e familiar, certamente está mais bem preparado para exercer a Odontopediatria de forma mais humana.

 

Lembrando sempre que a saúde deve ser priorizada! E a prevenção valorizada!

 

ODONTOLOGIA FRANCIANE COELHO

 

Referências:
ALBURQUEQUE, Camila Moraes; DEPES, Cresus Vinícios; MARTINS, Rita de Cássia. Principais técnicas de controle de comportamento em odontopediatria. Univesidade Federal Fluminense, 10 jul. 2010.
RAMOS-JORGE, M.L.; PAIVA, S.M. Comportamento infantil no ambiente odontológico: aspectos psicológicos e sociais. J Bras Odontopediatr Odontol Bebê, Curitiba, v.6, n.29, p.70-74, jan./fev. 2003.
Zardetto CGDC, Corrêa MSNP. Técnica de condicionamento psicológico para uso do isolamento absoluto em criança de pouca idade: relato de caso. Rev Ibero-am Odontopediatr Odontol Bebê 2004; 7(38):341-5.

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