Dra. Franciane Coelho

PASTA DE DENTES: COM OU SEM FLÚOR??

Existem vários mitos sobre o flúor, mas o que é cientificamente comprovado?

Você provavelmente já escutou de alguém ou de algum dentista/pediatra que crianças devem usar pasta de dente sem flúor ou com pouco flúor ou você já leu que flúor faz mal à saúde, certo?

E por que de toda essa confusão?

Logo que surgiram as primeiras pastas dentais com flúor para crianças o uso foi descontrolado: não havia uma supervisão rigorosa da quantidade de pasta colocada na escova. As crianças tinham livre acesso a pasta dental. Mais que isso, muitas crianças comiam pasta de dente para curtir aquele gostinho saboroso (eu inclusive!!).

E ainda, havia o consumo da água fluoretada da rede de abastecimento público (outros tempos, água engarrafada era um luxo).

Qual foi a consequência desse consumo indiscriminado?

Com o passar dos anos começaram a aparecer nos consultórios crianças com dentes manchados. E, com estudos, constatou-se que aquelas manchas brancas eram fluorose – defeito no esmalte dentário provocado pela ingestão excessiva de flúor que altera a formação dos dentes permanentes causando manchas que variam de um grau leve a severo.

Após essa constatação surgiram as pastas dentais sem flúor ou com pouco flúor que estão até hoje no mercado.

Mas depois de alguns anos em que as crianças usaram pastas de dentes sem flúor ou com pouco flúor, o que aconteceu?

O índice de doença cárie infantil voltou a crescer consideravelmente.

 

Diante disso a comunidade científica voltou aos estudos para tentar descobrir qual seria o modo correto de uso de pasta de dentes com flúor pelas crianças – de forma que protegesse das cáries, mas não provocasse fluorose.

Estudos feitos com diferentes concentrações de flúor nas pastas de dentes comprovaram cientificamente que é melhor usar uma pequena quantidade de pasta fluoretada convencional (acima de 1100 ppm de flúor) do que usar uma quantidade padrão de pasta com baixa concentração de flúor (500 ppm de flúor, por exemplo). Não existe nenhuma evidência científica de que uma pasta com baixa concentração de flúor exerça a mesma proteção anticárie do que uma com 1100 ppm.

Então, para diminuir o risco de fluorose, coloque na escova uma pequena quantidade de pasta dental, de acordo com a indicação de seu dentista, com concentração convencional (acima de 1100 ppm) de flúor. A escovação deve ser SEMPRE realizada pelos responsáveis pela criança, até que ela tenha habilidade para escovar seus próprios dentes.

Atenção: a criança pode brincar com a escova, mas não deixe que ela brinque com a pasta de dentes. Mantenha o creme dental sempre longe da criança, até que ela se mostre madura para entender que não pode “comê-la”.

Concluindo:

• Use pasta dental fluoretada, isto é, COM flúor, a partir da erupção do primeiro dentinho de leite.
• A pasta dental deve conter, no mínimo, 1100 ppm de flúor.
• As quantidades usadas na escova é que vão variar, de acordo com a idade e maturidade da criança, e devem ser indicadas pelo seu dentista.

Ao comprar a pasta de dentes de seu pequeno, olhe sempre o teor de flúor na composição da fórmula. Decida-se por aquelas que tiverem pelo menos 1100 ppm de flúor. E confira também a data de validade!

Observação: Quando for uma situação em que você está em dúvida se há controle, use uma pasta de dentes sem flúor (exemplo na escola).

O papel do flúor na prevenção da cárie é cientificamente comprovado. E esta não é apenas uma recomendação minha. É também a recomendação formal da Associação Brasileira de Odontologia, da FDA (a ANVISA americana) e da Academia Americana de Odontopediatria.

Espero que tenham gostado!

Um grande abraço!

Dra. Franciane Coelho
ODONTOLOGIA FRANCIANE COELHO

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