Dra. Franciane Coelho

CHUPETA E SUCÇÃO DIGITAL NA INFÂNCIA: QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS??

Entende-se hábito como uma disposição adquirida pela repetição de um ato, que se torna inconsciente e passa a ser incorporada à nossa personalidade. No entanto, o hábito torna-se vicioso quando prejudica o processo normal de crescimento e desenvolvimento do organismo humano. Dentro deste contexto, estão os hábitos de sucção não nutritiva, como o uso de chupeta e a sucção digital (“chupar dedo”).

A sucção é um reflexo que ocorre no estágio oral do desenvolvimento e desaparece durante o crescimento entre 1- 3 anos de idade. É a primeira atividade muscular coordenada da infância, sendo nessa fase normal e parte do desenvolvimento da criança.

Este reflexo de sucção vai sendo substituído progressivamente pelo reflexo de apreensão ou impulso de morder, quando surgem os primeiros dentes na boca e à medida que uma alimentação mais sólida se incorpora à dieta da criança.

Há casos, no entanto, que o reflexo gera um hábito vicioso. A criança ainda não saciada física e emocionalmente, busca o prolongamento destes estímulos que lhe satisfazem e acalmam, sugando o dedo ou a chupeta.

É normal que, com o início da socialização (mais ou menos aos 5 anos de idade), a criança abandone espontaneamente o hábito, podendo haver assim uma auto-correção das alterações oclusais. Quando o hábito é interrompido antes do nascimento dos dentes permanentes, pouco ou nenhum efeito é observado.

Nem sempre o hábito de sucção não nutritiva causa uma má oclusão. Para isso, é necessário intensidade, duração e freqüência (Tríade de Graber), além da predisposição genética do paciente.

Mas em alguns casos quando o hábito se prolonga, pode provocar alterações nas arcadas dentárias da criança, tais como:
– mordida aberta anterior (com maior freqüência),
– vestibularização dos incisivos superiores (dentes para frente),
– lingualização dos incisivos inferiores,
– aumento do trespasse horizontal (overjet),
– diastema entre incisivos superiores (dentes separados),
– atresia do palato (céu da boca estreito e profundo),
– mordida cruzada posterior.

É comum encontrar, associada à mordida aberta, a interposição lingual durante a fala, deglutição ou até mesmo no repouso mandibular. A interposição lingual é considerada a principal causa da recidiva da mordida aberta e da respiração bucal.

É preciso orientar os pais e responsáveis sobre as causas e também as consequências do prolongamento desses hábitos viciosos. É imprescindível a colaboração de toda a família para a remoção correta do hábito, e ainda a criança precisa sentir segura e acolhida.

O tratamento deve ser individualizado para cada paciente, a criança deve ser analisada como um todo e deve-se respeitar a idade e ansiedade de cada um, por isso, é importante um bom relacionamento entre pais, criança e profissionais. É preciso que haja confiança entre todas as partes.

A participação multidisciplinar, integrando o odontopediatra, o ortodontista, juntamente com o psicólogo e o fonoaudiólogo, é de extrema importância para um correto tratamento. No entanto, em alguns casos, torna-se inevitável recorrer aos aparelhos ortodônticos para interromper o hábito vicioso.

Por isso a importância do acompanhamento preventivo!!

ODONTOLOGIA FRANCIANE COELHO
(41) 4101 1855

 

Referência:
Lêda Maria José Monguilhott, Jane Simone Frazzon, Vânia Belli Cherem. Hábitos de Sucção: como e quando tratar na ótica da Ortodontia x Fonoaudiologia. R Dental Press Ortodon Ortop Facial, Maringá, v. 8, n. 1, p. 95-104, jan./fev. 2003.

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